Os gêmeos digitais ajudam as equipes da Komatsu e a diminuir os riscos e tomar melhores decisões antes mesmo que as máquinas cheguem ao campo
A construção de equipamentos pesados deixa pouca margem para tentativa e erro. Um erro encontrado tarde demais custa tempo e materiais e pode colocar as pessoas em risco. Portanto, antes que um novo máquina comece a operar no mundo real, os engenheiros precisam de uma maneira de testar o seu comportamento nas condições mais desafiadoras. Mas como é possível testar algo antes que isso exista? Para os engenheiros como Koji Inada, a solução consiste em gerar um gêmeo digital: versões virtuais de máquinas e locais de trabalho que auxiliam as equipes a testar, aprender e melhorar antes que qualquer coisa se concretize no mundo real.
"Para minimizar os riscos, atribuo grande importância à análise minuciosa de cada detalhe durante a fase experimental, à formulação de hipóteses e à realização de verificações repetidas", afirmou Inada, engenheiro baseado na fábrica da Komatsu's, em Awazu, no Japão.
Inada ingressou na Komatsu em 2010, logo após finalizar o seu mestrado em Ciência da Produção de Materiais. Naquela época, ele esperava aplicar os seus conhecimentos na área de pesquisa em soldagem. Mas uma visita às instalações de Awazu mudou tudo.
"Fiquei impressionado ao ver a soldagem, um processo especializado, sendo automatizada em um nível tão alto", disse ele. "Essa experiência me fez perceber claramente o impacto significativo que os robôs possuem nas fábricas e despertou em mim um grande interesse."
Na Awazu, Inada utiliza gêmeos digitais para simular tanto o soldador robótico quanto o chão de fábrica em que ele opera. Isso permite que ele teste como o máquina se moverá, soldará e trabalhará ao lado das pessoas, tudo isso em um ambiente virtual. Assim que a simulação parecer correta, ela é traduzida em instruções para o mundo real por meio de sistemas desenvolvidos pela Komatsu que ajudam no monitoramento e na orientação do desempenho do robô.
O que iniciou como uma inovação local é hoje usado nas instalações da Komatsu em todo o mundo. E a experiência de Inada é somente um exemplo de como o setor de manufatura evoluiu, onde a robótica, a simulação e as ferramentas digitais agora fazem parte da resolução cotidiana dos problemas.
Na Komatsu, a inovação não se limita a criar máquinas melhores, ela abre novos caminhos para as pessoas. Em São Paulo, Francisco Denes da Silva é a prova disso. Ele começou na Komatsu do Brasil em 1997 como assistente de produção e, ao longo de 28 anos, recebeu treinamento e se tornou um especialista em soldagem robótica. Atualmente, ele é técnico de produção e ajuda a impulsionar o futuro da produção inteligente.
"Aprendi a programar e a operar os robôs e adquiri conhecimento sobre todas as suas funções", afirma ele. A sua experiência abrange atualmente todos os aspectos de um processo de soldagem automatizada da Komatsu, desde a preparação das peças de trabalho até a otimização da precisão e da produção.
Os robôs de soldagem são mais do que máquinas com braços mecânicos, explica ele, são essenciais para a produção de peças com qualidade, velocidade e segurança consistentes. "Elas garantem maior eficiência, qualidade e produtividade."
Em todo o site Komatsu, fica claro que eficiência não substitui o trabalho humano qualificado, mas o eleva. Para Da Silva, tem sido uma carreira construída com base no aprendizado contínuo e uma prova de como a automação e as pessoas crescem lado a lado.
A mesma abordagem que está reformulando o trabalho no chão de fábrica está se estendendo muito além dele também. A tecnologia de gêmeo digital está sendo usada para ajudar os clientes da Komatsu a modelar canteiros de obras, monitorar minas e avaliar o desempenho das máquinas em ambientes extremos. Em todos os casos, a intenção é a mesma: reduzir a incerteza, otimizar a segurança e oferecer às pessoas uma visão mais clara antes do início do trabalho.